O meu porquê

No final de 2010 eu estava internamente muito confusa, buscando por algo que me fizesse feliz. Externamente às lentes do mundo parecia tudo normal, eu estava casada, com uma filha linda, na época com 4 anos de idade, tinha um bom trabalho, era funcionária pública naquele momento, mas havia um vazio, que não tinha coragem de admitir a ninguém, nem a mim mesma!

Hoje tenho clareza que devia estar deprimida ou quase lá, mas nas lentes que tinha naquele momento, estava normal, tudo no fluxo do mundo, como devia ser, e comecei a cogitar ter mais um filho, afinal filhos são puro amor, eu já amava a minha mais que tudo e queria mais daquele amor, talvez mais daquele amor me preenchesse, era o que pensava!

E graças a esse pensamento fui fazer meus exames de rotina, periodicamente realizados em meados de novembro, com objetivo de saber se estava tudo bem para uma segunda gravidez, já que minha primeira tinha sido fisicamente desafiadora, tive vários contratempos, plenamente superados, pois minha filha nasceu muito bem e é totalmente saudável!

Me recordo que quando minha médica me examinou achou estranho, mas disfarçou e pediu vários exames, enfim, vou resumir a história, depois de exames e mais exames, uma pequena cirurgia, biópsia, uma frase da médica: “não posso fazer mais nada por você, terá que procurar um especialista, um oncologista!”.

Estou careca de saber o que é um oncologista, mas me ressoou como um dermatologista! Minha ficha só caiu quando ouvi já de frente para a oncologista a sequência de palavras “cirurgia, quimioterapia e radioterapia”, ali meu chão sumiu, mas reuni minhas forças e segui!

Em janeiro de 2011 retirei meu útero, e recebi a graça de ter o resultado da biópsia com todas as margens livres, ficando assim isenta de passar pela dupla quimio e radioterapia.

Foram dois meses de licença médica para me recuperar fisicamente das cirurgias, onde emocionalmente comecei a perguntar o que significava tudo isso, eu era jovem, apenas 30 anos, e passei por todas as fases e questionamentos que um diagnóstico desses nos traz! Eu sabia que tinha que mudar, mas não fazia ideia de onde e como começar! E acabei por ir retomando a vida exatamente como era antes do diagnóstico.

Porém uns seis meses depois comecei a sentir muita dor na perna esquerda, que rapidamente ficou muito intensa a ponto de não conseguir entrar no carro, precisava ajudar com as mãos para colocar minha perna para dentro. Novos exames, ressonâncias, tomografias e um novo diagnóstico de nódulo no ovário, e outra frase médica: “Tem corpo que é assim, não se trata de metástase, mas um novo câncer. Alguns organismos são assim, tira um tumor e cria-se outros”, eu não respondi em voz alta, pois sempre tive muita dificuldade de me expressar até então, mas lembro perfeitamente que em pensamento eu decretei “meu corpo não é assim”, e foi a minha primeira cocriação instantânea…

Recordo bem que isso foi numa segunda-feira, na sexta-feira fui pra sala de cirurgia para tirar esse tumor, porém no ato da cirurgia já não havia mais tumor, e uma nova frase médica “Seu Deus é muito bom, não havia nem um tumor.”

Diante de vários exames com um mesmo resultado e diante de uma realidade nova que foi colapsada pela minha alma que desejava viver, eu tive a certeza que precisava fazer algo por mim, já tinha tido duas grandes chances, dois grandes presentes de Deus, do Universo, eu precisava fazer por mim! Mas fazer o que?

Comecei a ler, a buscar na internet por algo que me ajudasse, e foi assim que veio primeiro o coaching na minha vida, como cliente, coachee, depois veio a física quântica (que eu já havia praticado bastante pelo conhecimento intrínseco do meu eu superior), em seguida o Reiki, e fui dessa maneira me apaixonando por esse caminho de autodesenvolvimento o qual eu nunca mais deixei.

Muitas mais ferramentas chegaram até mim, alguma me auxiliaram apenas momentaneamente, já outras foram profundos casos de amor, que resolvi estudar mais a fundo, e estão na minha vida até agora e creio que permanecerão!

Através desses muitos processos, de muitas catarses ao longo desses anos, fui me dando conta de como eu fui moldada pelos padrões e paradigmas sociais. Eu percebi como eu me anulei, como eu não falei, como eu me submeti aos outros, para me sentir pertencente, me sentir amada! E vi como isso me incomoda! Como a falta de liberdade me incomoda! Já que, como boa eneatipo predominante 4, o meu desejo de ser autêntica, de ser eu mesma, de ter o direito de ter minha identidade, é muito forte.

E ter isso cerceado ao longo de boa parte da minha vida me fez adoecer, e me faz também ter agora uma força gigante para soltar minha voz e dizer que todos têm o direito de ser quem quiser, sem padrões, com amor e com respeito ao próximo.

E esse é o meu grande porquê, o porquê do meu trabalho hoje, o porquê de o Instituto Lotus existir nesse momento!

Uma das grandes paixões que adquiri nesse caminho, que me ajudou e ajuda muito é a constelação, essa técnica terapêutica breve fantástica trazida para nós pelo grande Bert Hellinger, que tem um legado maravilhoso, foi e é um dos principais responsáveis por eu ir encontrando o meu lugar no mundo, de onde eu tenho força, onde através da força da minha ancestralidade, posso ser eu mesma.

Quando eu saí da doença, e comecei a me olhar eu achava que tinha feito tudo errado, mas hoje com olhar um pouco mais expandido, depois de mudar muito minha postura diante da vida, eu vejo que foi tudo absolutamente certo como foi, foi exatamente como tinha que ser!

Tem uma frase do Bert Hellinger que diz assim:

“A maioria das vezes você não precisa de um novo caminho, você precisa de uma nova forma de caminhar.”

Tenho aprendido uma nova forma de caminhar, venho pondo em prática e assim minha vida tem se transformado a cada dia, pois essa nova forma de caminhar está me reconectando com minha alma!

Tenho muito orgulho de quem venho me tornando, ou venho retornando! Já que no meu interessante ponto de vista, eu venho simplesmente me lembrando e acessando aquilo que já Sou, e que os véus ilusórios dessa sociedade me fizeram esquecer, os véus de Maya!

Esse é o meu porquê, o motivo pelo qual eu faço esse trabalho, que é por mim, por minha filha, e que por todos aqueles que tem o desejo, de como eu, ir retornando a essência, se libertando para manifestá-la aqui nesse plano da existência, nesse nosso lindo planeta chamado Terra, na nossa grande mãe Gaia, e dessa maneira trazendo leveza para essa divina experiencia humana!

Beijos no coração, da minha alma para sua!

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